
Em terra de cego, quem tem olho, é rei?
Esse livro despertou meu interesse desde a primeira vez que ouvi falar nele - antes mesmo de produzirem o filme -, pois gosto muito de histórias cujo foco é o comportamento humano.
Mais um livro pra encabeçar meus favoritos na categoria Terror Psicológico.
Um homem em seu carro esperando o sinal abrir percebe que não é mais capaz de enxergar, sua visão foi invadida por um 'mar branco', como se estivesse com o rosto mergulhado em uma bacia de leite. Essa cegueira começa a se espalhar de forma quase epidêmica e medidas como o isolamento começam a ser tomadas.
Mais do que uma cegueira física, José Saramago também retrata nas entrelinhas de seu livro a cegueira intelectual ou, se assim preferir, a ignorância dos seres humanos.
Como o livro é no idioma original - português de Portugal - fica um pouco complicado pegar o embalo da leitura. Não existe a separação de diálogos clássica com dois pontos e travessão o que facilita um pouco na hora de se perder pelos parágrafos. Porém a história é tão envolvente que uma vez no embalo da leitura, não há mais como se perder.
O filme é a adaptação mais fiél que já assisti, as diferenças são muito pequenas e não cometem o pecado de alterar a essência da história como acontece com muitas adaptações para o cinema.
A história nos leva a pensar se haveria algum fundo de verdade na afirmação de que 'em Terra de Cego quem tem olho é Rei'. A sensação de que a única pessoa a possuir visão deveria 'tomar conta' dos demais está sempre presente no texto e o peso da responsabilidade sobre os ombros da Mulher do Médico é facilmente sentido pelo leitor.
Definitivamente uma história que nos faz refletir sobre nosso comportamento e sobre o quão despreparados estamos para enfrentar mudanças bruscas em nossa rotina.
SPOILER
Para uma pessoa que, como eu, se perde em nomes de personagens como os de Agatha Christie - Ok! Péssimo exemplo ... ela exagera nos nomes escabrosos - esse livro não tem esse problema. As personagens de Saramago são literalmente: O Médico, A Mulher do Médico, O 1° Cego, etc. o que, além de prático, facilita visualizar o 'caminho do contágio' quando surgem cegos identificados por: A Camareira do Hotel ou O Balconista da Farmácia.
O filme se limitou a mostrar unicamente o 1° cego voltando a enxergar o que leva qualquer 'bom etendedor' a perceber que toda a população atingida pelo mal branco tambpem voltaria a enxergar, mas o livro vai além ... nele as personagens principais ouvem outros cegos gritando de suas casas: 'Eu vejo'.
RECOMENDO!!!